Quinta-feira, Junho 18, 2009
novos ângulos, outros ângulos
...na hora da chuva...
era um blog de poesia
que ficou meio abandonado
que virou um blog de palavras
o que me parece meio desnecessário dizer.
e que ficou abandonado de novo,
e se tentou voltar...
e voltar...
e voltar...
e nada!
abandonado pelas donas, e imagino, pelas visitas.
Hoje posto uma fotografia, que está no meu flickr e é a minha mais significativa de um novo ensaio fotográfico. Novas maneiras de olhar o mundo, de fotografar, de me posicionar atrás das lentes, sem olhar através delas, olhando por cima. Subversão. Eu me pergunto: arte?
era um blog de poesia
que ficou meio abandonado
que virou um blog de palavras
o que me parece meio desnecessário dizer.
e que ficou abandonado de novo,
e se tentou voltar...
e voltar...
e voltar...
e nada!
abandonado pelas donas, e imagino, pelas visitas.
Hoje posto uma fotografia, que está no meu flickr e é a minha mais significativa de um novo ensaio fotográfico. Novas maneiras de olhar o mundo, de fotografar, de me posicionar atrás das lentes, sem olhar através delas, olhando por cima. Subversão. Eu me pergunto: arte?
Quarta-feira, Fevereiro 18, 2009
Nada (trecho) - Carmen Laforet
"Talvez o sentido da vida de uma mulher consista unicamente em ser descoberta assim, olhada de modo que ela mesma se sinta radiante." (p.193)
LAFORET, Carmen (1945). Nada. Rio de Janeiro: Objetiva, 2008.
Segunda-feira, Março 31, 2008
Notícias
Os meses foram passando, e as nossas prioridades momentâneas começaram a mudar. No começo, tínhamos uma enorme sede de postar e dividir poemas; depois, postávamos raramente, até que chegamos no momento de não postar nada em meses! Hoje não é um poema que será postado, apenas notícias. Tenho vontade de voltar a postar, mas no momento, não ando muito ligada em poesia, estou mais concentrada no trabalho e nos estudos, e quando tenho tempo, me ocupo do meu site (http://julinhamoreira.multiply.com/), nesse outro, me ocupo mais das imagens, e raramente utilizo palavras. Há quase dois anos não escrevo nenhum poema, minhas aventuras escritas andam num outro momento, concentradas na faculdade e em algumas idéias ainda não concretizadas.
Acho que pouquíssima gente passa por aqui, mas hoje li um comentário de alguém que passa ou passava por aqui em busca de novos poemas, hoje não tenho nenhum novo pra oferecer, mas quem sabe, logo mais, terei algo novo para postar! Poema, ou alguma outra coisa...
Acho que pouquíssima gente passa por aqui, mas hoje li um comentário de alguém que passa ou passava por aqui em busca de novos poemas, hoje não tenho nenhum novo pra oferecer, mas quem sabe, logo mais, terei algo novo para postar! Poema, ou alguma outra coisa...
Segunda-feira, Junho 18, 2007
Convite - Lya Luft
Não sou a areia
onde se desenha um par de asas
ou grades diante de uma janela.
Não sou apenas a pedra que rola
nas marés do mundo,
em cada praia renascendo outra.
Sou a orelha encostada na concha
da vida, sou construção e desmoronamento,
servo e senhor, e sou
mistério
A quatro mãos escrevemos este roteiro
para o palco de meu tempo:
o meu destino e eu.
Nem sempre estamos afinados,
nem sempre nos levamos
a sério.
onde se desenha um par de asas
ou grades diante de uma janela.
Não sou apenas a pedra que rola
nas marés do mundo,
em cada praia renascendo outra.
Sou a orelha encostada na concha
da vida, sou construção e desmoronamento,
servo e senhor, e sou
mistério
A quatro mãos escrevemos este roteiro
para o palco de meu tempo:
o meu destino e eu.
Nem sempre estamos afinados,
nem sempre nos levamos
a sério.
Terça-feira, Abril 24, 2007
Canção da Lua Nova - Gustavo Kurlat
Me falaram que a lua
quando fica nua, sem a luz do sol que a veste de giz
é uma atriz que rola num lençol
de cetim
num sem-fim
de estrelas
Todas brincam com ela
que nem Cinderela que ao baile voltou
no fim
e chinfrim
faz suas correrias, rodopia no breu
e até o céu
balança
E acabando sua dança
ela nem descansa e vai se maquiar
no ar
pra atuar
no papel maior: um espelho em flor
que dá luz
ao palco
da terra
mas a terra dormiu...
quando fica nua, sem a luz do sol que a veste de giz
é uma atriz que rola num lençol
de cetim
num sem-fim
de estrelas
Todas brincam com ela
que nem Cinderela que ao baile voltou
no fim
e chinfrim
faz suas correrias, rodopia no breu
e até o céu
balança
E acabando sua dança
ela nem descansa e vai se maquiar
no ar
pra atuar
no papel maior: um espelho em flor
que dá luz
ao palco
da terra
mas a terra dormiu...
Boneca de Milho - Gustavo Kurlat
Cabelos de ouro, ouro ao vento
cada manhã de primavera
(e era espuma no meio de um mar
sem mar)
Boneca de milho: uma espiga pra namorar
depois da chuva
antes da chuva
ou enquanto a chuva
durar...
cada manhã de primavera
(e era espuma no meio de um mar
sem mar)
Boneca de milho: uma espiga pra namorar
depois da chuva
antes da chuva
ou enquanto a chuva
durar...
Quinta-feira, Abril 19, 2007
Não sei - Cora Coralina
Não sei ... se a vida é curta
ou longa demais pra nós,
Mas sei que nada do que vivemos tem sentido,
se não tocamos o coração das pessoas.
Muitas vezes basta ser:
Colo que acolhe,
Braço que envolve,
Palavra que conforta,
Silêncio que respeita.
Alegria que contagia,
Lágrima que corre,
Olhar que acaricia,
Desejo que sacia,
Amor que promove.
E isso não é coisa de outro mundo,
é o que dá sentido à vida.
É o que faz com que ela
não seja curta,
nem longa demais
Mas que seja intensa
Verdadeira, pura ...
Enquanto durar.
ou longa demais pra nós,
Mas sei que nada do que vivemos tem sentido,
se não tocamos o coração das pessoas.
Muitas vezes basta ser:
Colo que acolhe,
Braço que envolve,
Palavra que conforta,
Silêncio que respeita.
Alegria que contagia,
Lágrima que corre,
Olhar que acaricia,
Desejo que sacia,
Amor que promove.
E isso não é coisa de outro mundo,
é o que dá sentido à vida.
É o que faz com que ela
não seja curta,
nem longa demais
Mas que seja intensa
Verdadeira, pura ...
Enquanto durar.
Sexta-feira, Março 02, 2007
Persona - Ingmar Bergman (trecho)

"O inútil sonho de ser. Não paracer, mas ser. Estar alerta em todos os momentos. A luta: o que você é com os outros e o que você realmente é. Um sentimento de vertigem e a constante fome de finalmente ser exposta, ser vista por dentro, cortada, até mesmo eliminada. Cada tom de voz, uma mentira. Cada gesto, falso. Cada sorriso, uma careta."
pequeno trecho de uma fala do filme "Persona" de Ingmar Bergman.
Quinta-feira, Março 01, 2007
Conversa De Botas Batidas - Marcelo Camelo
- Veja você onde é que o barco foi desaguar
- a gente só queria o amor...
- Deus parece às vezes se esquecer
- ai, não fala isso, por favor
Esse é só o começo do fim da nossa vida
Deixa chegar o sonho, prepara uma avenida
que a gente vai passar
- Veja você, quando é que tudo foi desabar
A gente corre pra se esconder...
- E se amar, se amar até o fim
- sem saber que o fim já vai chegar
Deixa o moço bater que eu cansei da nossa fuga
Já não vejo motivos pra um amor de tantas rugas
não ter o seu lugar
Abre a janela agora, deixa que o sol te veja
É só lembrar que o amor é tão maior
que estamos sós no céu
Abre as cortinas pra mim
que eu não me escondo de ninguém
O amor já desvendou nosso lugar
e agora esta de bem
Deixa o moço bater que eu cansei da nossa fuga
Já não vejo motivos pra um amor de tantas rugas
não ter o seu lugar
Diz quem é maior que o amor?
Me abraça forte agora, que é chegada a nossa hora
Vem, vamos além. Vão dizer
que a vida é passageira
Sem notar que a nossa estrela
vai cair
- a gente só queria o amor...
- Deus parece às vezes se esquecer
- ai, não fala isso, por favor
Esse é só o começo do fim da nossa vida
Deixa chegar o sonho, prepara uma avenida
que a gente vai passar
- Veja você, quando é que tudo foi desabar
A gente corre pra se esconder...
- E se amar, se amar até o fim
- sem saber que o fim já vai chegar
Deixa o moço bater que eu cansei da nossa fuga
Já não vejo motivos pra um amor de tantas rugas
não ter o seu lugar
Abre a janela agora, deixa que o sol te veja
É só lembrar que o amor é tão maior
que estamos sós no céu
Abre as cortinas pra mim
que eu não me escondo de ninguém
O amor já desvendou nosso lugar
e agora esta de bem
Deixa o moço bater que eu cansei da nossa fuga
Já não vejo motivos pra um amor de tantas rugas
não ter o seu lugar
Diz quem é maior que o amor?
Me abraça forte agora, que é chegada a nossa hora
Vem, vamos além. Vão dizer
que a vida é passageira
Sem notar que a nossa estrela
vai cair
Quinta-feira, Fevereiro 22, 2007
Janela - Julia Moreira
De um lado, eu;
do outro, ela.
No meio uma janela.
Ponte e abismo,
que nos une e separa.
Será que consigo ir além?
último poema que eu escrevi, em setembro do ano passado
do outro, ela.
No meio uma janela.
Ponte e abismo,
que nos une e separa.
Será que consigo ir além?
último poema que eu escrevi, em setembro do ano passado
Sexta-feira, Janeiro 19, 2007
Melancolia - Flávio Carvalho Ferraz
Eu luto
contra o luto
but the mourning
wakes up early
in the morning.
contra o luto
but the mourning
wakes up early
in the morning.
voltei
Mais notícias... depois de um longo tempo sem postar nada, voltei! Não sei se terei muito tempo pra postar como costumava fazer logo que iniciei o blog, mas tentarei colocar um poema ou outro de vez em quando...
Quinta-feira, Dezembro 14, 2006
Discurso - Cecília Meireles
E aqui estou, cantando.
Um poeta é sempre irmão do vento e da água:
deixa seu ritmo por onde passa.
Venho de longe e vou para longe:
mas procurei pelo chão os sinais do meu caminho
e não vi nada, porque as ervas cresceram e as serpentes
andaram.
Também procurei no céu a indicação de uma trajetória,
mas houve sempre muitas nuvens.
E suicidaram-se os operários de Babel.
Pois aqui estou, cantando.
Se eu nem sei onde estou,
como posso esperar que algum ouvido me escute?
Ah! Se eu nem sei quem sou,
como posso esperar que venha alguém gostar de mim?
Um poeta é sempre irmão do vento e da água:
deixa seu ritmo por onde passa.
Venho de longe e vou para longe:
mas procurei pelo chão os sinais do meu caminho
e não vi nada, porque as ervas cresceram e as serpentes
andaram.
Também procurei no céu a indicação de uma trajetória,
mas houve sempre muitas nuvens.
E suicidaram-se os operários de Babel.
Pois aqui estou, cantando.
Se eu nem sei onde estou,
como posso esperar que algum ouvido me escute?
Ah! Se eu nem sei quem sou,
como posso esperar que venha alguém gostar de mim?
Quarta-feira, Dezembro 13, 2006
Simultaneidade - Mário Quintana
- Eu amo o mundo! Eu detesto o mundo! Eu creio em Deus! Deus é um absurdo! Eu vou me matar! Eu quero viver!
- Você é louco?
- Não, sou poeta.
- Você é louco?
- Não, sou poeta.
Terça-feira, Novembro 21, 2006
Carrego as Estações - Carlos Felipe Moisés
Carrego as estações comigo
e tenho as mãos cansadas.
(No bolso esquerdo um riacho murmura.)
Ali, onde pequenas pedras se acumulam,
uma canção exala seu vapor,
depois se perde.
Jardins de primavera circulam no meu corpo,
um céu de ouro verte seu perfume
e um vento ignorado agita suas asas.
Pasto de segredos,
mescla de memória e desejo,
meu corpo caminha com a chuva
(carrego as estações comigo),
à procura do sonho de uma nuvem fria.
Tantas folhas trago nos braços
que um pássaro, solidário, se oferece
para carregar as estações comigo.
Do peito aberto os meus jardins se vão
e o pássaro me ajuda (memória
e desejo) a semear meu corpo.
Ali planto meus braços,
debaixo daquelas árvores meus olhos ficam,
os pés, roídos pela terra, penduro numa árvore
e o tronco multiplico em cem pedaços –
lá vai, junto com as pedras,
no bojo do riacho antigo.
E pois que carrego as estações comigo,
os lábios deixo além, no descampado,
e peço ao pássaro que pelos cabelos atire
o que sobrou de mim
àquele mar onde me espera a memória
(e o desejo) do tempo em que não soube
carregar as estações comigo.
e tenho as mãos cansadas.
(No bolso esquerdo um riacho murmura.)
Ali, onde pequenas pedras se acumulam,
uma canção exala seu vapor,
depois se perde.
Jardins de primavera circulam no meu corpo,
um céu de ouro verte seu perfume
e um vento ignorado agita suas asas.
Pasto de segredos,
mescla de memória e desejo,
meu corpo caminha com a chuva
(carrego as estações comigo),
à procura do sonho de uma nuvem fria.
Tantas folhas trago nos braços
que um pássaro, solidário, se oferece
para carregar as estações comigo.
Do peito aberto os meus jardins se vão
e o pássaro me ajuda (memória
e desejo) a semear meu corpo.
Ali planto meus braços,
debaixo daquelas árvores meus olhos ficam,
os pés, roídos pela terra, penduro numa árvore
e o tronco multiplico em cem pedaços –
lá vai, junto com as pedras,
no bojo do riacho antigo.
E pois que carrego as estações comigo,
os lábios deixo além, no descampado,
e peço ao pássaro que pelos cabelos atire
o que sobrou de mim
àquele mar onde me espera a memória
(e o desejo) do tempo em que não soube
carregar as estações comigo.
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