segunda-feira, março 22, 2010

A história do domingo

Foi só o pai de Paulo sair do quarto, que já começou a pensar nessa história do domingo não ser domingo, e ficou todo atrapalhado. Se o domingo não era domingo, e sim quinta feira; e se naquela hora ele estava na escola, quem estava em seu quarto não era ele.

E se não era ele, quem era então?
Mas aí, pensou que se ele não era ele, podia ser quem ele quisesse, e até achou que podia ser uma brincadeira legal.
A primeira foi arranjar roupas de sua irmã, se vestir como ela e andar chorando feito louca. Isso porque sua irmã chora o tempo todo, e todos perguntam o que ela tem. Com Paulo, é só começar, e todos falam “chorão!”, e fazem pouco caso.
Essa idéia foi logo embora. Ele não estava a fim de chorar, e nem de ser sua irmã. Para falar a verdade, nem gosta muito dela.
Era melhor ser o Batman, ou o Homem-Aranha, ou o Super-Homem. Foi pensando. Achou que isso fosse dar muito trabalho e desistiu na hora. Aí, se lembrou de um menino que tinha visto num filme. Ele era magro e usava óculos, e tinha uma cara encucada bem de seu gosto. Ele gostou do menino e sempre teve vontade de usar óculos.
Mentira!
Ele gostou do menino, mas não teve vontade de usar óculos, pois nem tinha problema na vista.

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Escrevi esse texto no dia 26 de agosto de 1994, logo depois de completar 11 anos. A versão que postei aqui é a mais fiel possível à original; me limitei a corrigir pontuação, ortografia e uma ou outra junção entre frases.

Logo que comecei a falar, passei a inventar histórias. Quando perguntavam de onde eu "tinha tirado aquilo", dizia que a minha cachorra havia me ensinado. Às vezes, pedia pra escreverem as minhas criações. Mas foi só no início de 1994, aos 10 anos, que fui "picada" pelo bichinho da escrita, e desde então, não parei mais.

4 comentários:

Menina-que-quer-ser-escritora disse...

ADOREI!
super interessant ter sido teu texto aos 10 anos. Gostei da ideia dele brincar de ser outra pessoa. Daria para seguir este texto, Ju

Julia Moreira disse...

Sabe que acho estranho "continuar" esse texto? Sei lá, me parece um pouco "sagrado", justamente por ter sido escrito há tanto tempo, e mostrar algumas das características de como eu escrevia naquela época. Mas estou com um antigo (não tanto quanto esse), que é um conto inacabado que eu pretendo finalizar; e é claro que será muito diferente do fragmento que eu tenho, porque meu estilo mudou muito... veremos o resultado! Vou postar por aqui também.

Ana Clara (Caia) disse...

Esse texto me lembrou muito o Bê!! Não sei porque, afinal ele nem tem idade pra pensar todas essas coisas... mas de alguma forma não consegui tirar ele da cabeça durante toda a leitura!!

Julia Moreira disse...

bom, é um narrador criança escrito por uma criança... legal que te lembrou o Bê! Passa pra Jana ler pra ele, quem sabe ele gosta!