quarta-feira, novembro 23, 2005

O Morcego - Augusto dos Anjos

Meia-noite. Ao meu quarto me recolho.
Meu Deus! E este morcego! E, agora, vede:
Na bruta ardência orgânica da sede,
Morde-me a goela ígneo e escaldante molho.

"Vou mandar levantar outra parede..."
- Digo. Ergo-me a tremer. Fecho o ferrolho
E olho o teto. E vejo-o ainda, igual a um olho,
Circularmente sobre minha rede!

Pego de um pau. Esforços faço. Chego
A tocá-lo. Minh’alma se concentra.
Que ventre produziu tão feio parto?!

A Consciência Humana é este morcego!
Por mais que a gente faça, à noite, ele entra
Imperceptivelmente em nosso quarto!

10 comentários:

Henrique disse...

muito bom eu morei na cidade em que ele morreu

Anônimo disse...

Paaarabéns !

Anônimo disse...

(Y)E a gnt com isso? O q muda o fato de vc morar na cidade dele?
¬¬
Poesia linda! ^^

Anônimo disse...

vcs ja ouviram alguem dizer que não se arrependia de nada que fizera .....
na proxima vez que ouvires ou pronuciar lembre se desse poema e do poeta

Anônimo disse...

foda-se

carmem disse...

este é uma obra da consiencia humana.Nele AUGUSTO DOS ANJOS fala da nossa consciencia o nosso medo de pensar o erro e até msm no q deixou de fazer...

egtgfvde disse...

Eu acho esses sonetos dele uma porcaria!!!

Paulo disse...

egtgfvde concordo plenamente com vc meu caro.

Anônimo disse...

Augusto dos Anjos foi um grande literário.

amaupc disse...

Li o livro todo e achei maravilhoso, não existe nada parecido, originalidade ...