domingo, novembro 20, 2005

sem título (não basta abrir a janela...) - Alberto Caeiro

Não basta abrir a janela
Para ver os campos e o rio.
Não é bastante não ser cego
Para ver as árvores e as flores.
É preciso também não ter filosofia nenhuma.
Com filosofia não há árvores: há idéias apenas.
Há só cada um de nós, como uma cave.
Há só uma janela fechada, e todo o mundo lá fora;
E o sonho do que se poderia ver se a janela se abrisse,
Que nunca é o que se vê quando se abre a janela.

Um comentário:

luciana disse...

Julia,

este é o poema que eu li na aula do Kulcsar... Ele é maravilhoso !!!!