quinta-feira, janeiro 26, 2006

Infantil - Manoel de Barros

O menino ia no mato
E a onça comeu ele.
Depois o caminhão passou por dentro do corpo do menino
E ele foi contar para a mãe.
A mãe disse: mas se a onça comeu você, como é que o caminhão passou por dentro do seu corpo?
É que o caminhão só passou renteando meu corpo
E eu desviei depressa.
Olha, mãe, eu só queria inventar uma poesia.
Eu não preciso de fazer razão.

2 comentários:

Ciça disse...

Adoro este !!
bjs

Valdir DM disse...

Esse menino não existe. Fantasia é coisa de criança; surrealismo é coisa de adulto. MB, tentando ser poeta, nos vende uma fórmula mecânica (racional mas sem imaginação) como se fosse fantasia. Julgando haver descoberto a pólvora, ele transpõe o surrealismo (que viu em Nova York, nos anos 40) das artes plásticas para a Poesia. Mas um quadro surrealista pode ter uma extraordinária beleza visual, enquanto um "poema" surrealista é extremamente chato, pois nos obriga a um estéril malabarismo mental (como imaginar uma "máquina que menstrua nos pardais"?). Arnaldo Jabor, o execrável, pelo menos antes de o ser também concordava com essa análise: ver o seu artigo (feito provavelmente por insistência de compadres, numa corrente montadora de reputação) em que fala de Manoel de Barros e a lesma de seu jardim ("Escrevo hoje um artigo sobre quase nada").

Lembro que toda unanimidade é burra. Se isto é verdade quanto a Chico Buarque (artista que admiro), porque seria mentira quanto a MB?

Tentem Cecília Meireles...