Foi só o pai de Paulo sair do quarto, que já começou a pensar nessa história do domingo não ser domingo, e ficou todo atrapalhado. Se o domingo não era domingo, e sim quinta feira; e se naquela hora ele estava na escola, quem estava em seu quarto não era ele.
E se não era ele, quem era então?
Mas aí, pensou que se ele não era ele, podia ser quem ele quisesse, e até achou que podia ser uma brincadeira legal.
A primeira foi arranjar roupas de sua irmã, se vestir como ela e andar chorando feito louca. Isso porque sua irmã chora o tempo todo, e todos perguntam o que ela tem. Com Paulo, é só começar, e todos falam “chorão!”, e fazem pouco caso.
Essa idéia foi logo embora. Ele não estava a fim de chorar, e nem de ser sua irmã. Para falar a verdade, nem gosta muito dela.
Era melhor ser o Batman, ou o Homem-Aranha, ou o Super-Homem. Foi pensando. Achou que isso fosse dar muito trabalho e desistiu na hora. Aí, se lembrou de um menino que tinha visto num filme. Ele era magro e usava óculos, e tinha uma cara encucada bem de seu gosto. Ele gostou do menino e sempre teve vontade de usar óculos.
Mentira!
Ele gostou do menino, mas não teve vontade de usar óculos, pois nem tinha problema na vista.
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Escrevi esse texto no dia 26 de agosto de 1994, logo depois de completar 11 anos. A versão que postei aqui é a mais fiel possível à original; me limitei a corrigir pontuação, ortografia e uma ou outra junção entre frases.
Logo que comecei a falar, passei a inventar histórias. Quando perguntavam de onde eu "tinha tirado aquilo", dizia que a minha cachorra havia me ensinado. Às vezes, pedia pra escreverem as minhas criações. Mas foi só no início de 1994, aos 10 anos, que fui "picada" pelo bichinho da escrita, e desde então, não parei mais.
